Fome oprime congoleses refugiados em Ruanda

“...e haverá fomes,” Mateus 24:7

05 de junho de 2018.

 

Completamente dependentes da ajuda humanitária, os refugiados da República Democrática do Congo em Ruanda observam desesperados os últimos cortes nos alimentos que recebem e que os obriga a passar ainda mais fome. 

Na casa de Florence Mukarinorzi, a comida nunca é suficiente para alimentar seus oito filhos. 

A família vive no acampamento de Nyabiheke, que acolhe 14.600 congoleses que fugiram da violência no seu país. Muitos deles estão lá há décadas. 

Com uma bebê de um mês de vida em seus braços, Florence espera para ser atendida em um centro da ONU e receber o suplemento nutricional ao qual tem direito por ser mãe lactante e que também é dado a crianças de seis e 23 meses. 

Para evitar a desnutrição crônica infantil, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) proporciona seis quilos ao mês de um composto fortificado de milho e soja. 

"O problema virá quando a menina completar dois anos e deixar de receber essa ajuda", explicou à Agência Efe a mulher, que a cada vez que vai a sua casa deve alimentar todos os filhos com essa espécie de mingau, cuja quantidade é insuficiente. 

Tal situação se deteriorou pela falta de fundos que obrigou à redução das porções de alimentos várias vezes desde novembro do ano passado. 

Antes, cada refugiado recebia 7,50 euros mensais para adquirir alimentos e suprir as 2.100 calorias diárias necessárias para levar uma vida saudável. Atualmente, o valor é de 6,40 euros. 

"Tivemos que cortar refeições, passando de duas para uma por dia", explicou Aline Nyirakanyana, que costuma mandar seus três filhos para a cama quando se queixam de fome. 

O acampamento continua calmo, embora a redução da ajuda alimentar já tenha motivado protestos violentos em outras partes da Ruanda, refúgio de 175 mil pessoas da República Democrática do Congo e do Burundi. 

Em dois dos seis campos do país, especificamente nos de Karongi e Kiziba, 11 congoleses morreram em fevereiro em confrontos com a Polícia durante as manifestações, segundo a Agência da ONU para os Refugiados (Acnur). 

"Estamos tristes com o que aconteceu, os assassinatos não solucionam o problema", ressaltou Justin Byiringiro, escolhido pelos refugiados de Nyabiheke como representante.

Esse jovem de 28 anos, um dos poucos que conseguiu se formar na Universidade, pede compreensão a seus compatriotas, que "são dependentes há mais de 20 anos em solo estrangeiro, tendo que pedir sempre para comer". 

"É inimaginável como as pessoas podem viver com esse dinheiro se não têm mais nada e os preços no mercado são altos", afirmou Byiringiro, que pede mais educação para promover a atividade econômica para enfrentar a paralisia. 

Desde 2015, as transferências de dinheiro foram introduzidas nesse acampamento para que os refugiados pudessem comprar alimentos, dando-lhes certa liberdade de escolhae dietas mais diversas. 

"Com esse novo sistema, damos algumas oportunidades de trabalho como a venda de comida", disse o responsável do PMA em Nyabiheke, Jules Munaruyange. 

Munaruyange reconhece que os cortes estão afetando estas pessoas "completamente dependentes" da assistência humanitária, por isso tentam comunicar as mudanças com tempo para que se preparem. 

Em uma tentativa de aliviar a insegurança alimentar, os Estados Unidos acabam de anunciar que destinarão US$ 6,5 milhões adicionais para os refugiados em Ruanda. 

Espera-se que o Programa Mundial de Alimentos possa usar essa contribuição na distribuição alimentar, nos complementos nutricionais e em outros tratamentos contra a desnutrição infantil. 

Enquanto isso, cerca de 6 mil estudantes se beneficiam de um programa de alimentação escolar em Nyabiheke e pequenas hortas foram criadas. 

Medidas que, no entanto, não evitam que a fome continue aumentando neste ponto perdido do centro da África. 

Fonte: EFE

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