FAO diz que 21 países sofrem com quadros graves de fome em pontos localizados

“...e haverá fomes,” Mateus 24:7

19 de março de 2018.

 

Ao todo, 21 países vivem crises alimentares em pontos localizados do território por motivos como a falta de alimentos ou a chegada de um grande número de refugiados, de acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). 

O economista da FAO Jonathan Pound disse nesta segunda-feira à Agencia Efe que uma parte das situações de insegurança alimentar severa se concentra em regiões pequenas de alguns países. De acordo ao último estudo da agência sobre perspectivas de colheitas, existem 37 países que necessitam ajuda externa para alimentar o seu povo e, deles, 21 enfrentam crises localizadas. 

O número total é o mesmo que o de um ano atrás, o que reflete, de acordo com Pound, "uma situação estática", com países parados no longo prazo e outros que entram e saem da lista, por exemplo, por causa de furacões ou inundações. 

O grave quadro de fome em determinados lugares se deve geralmente à chegada de refugiados, a concentração de deslocados ou a existência de zonas onde as perdas de colheitas coincidem com um cenário de profunda pobreza. 

"Quando as pessoas se veem obrigadas a migrar para outro país perdem a capacidadeprodutiva, não podem produzir os seus próprios alimentos, não têm o mesmo sistemade apoio imediatamente e nem disponibilidade de terra para plantar, exercendo pressão sobre os países e comunidades que as acolhem", explicou o economista. 

A África concentra a maioria desses casos, como Burkina Faso, onde vivem 24 mil refugiados do Mali e quase 133 mil pessoas precisam de ajuda alimentar, ou em Camarões, que tem 249 mil refugiados da República Centro-Africana e 236 mil deslocados internos gerados pela falta de segurança na fronteira com a Nigéria. 

As condições meteorológicas desfavoráveis também afetaram as plantações e a criação de gado em países como o Quênia, que tem 3,4 milhões de pessoas passando fome, ou em Lesoto, onde 225 mil habitantes dependem de assistência externa para comer. Às vezes o déficit de alimentos combina com o fluxo de refugiados, como é o caso da Libéria, onde 29 mil pessoas necessitam ajuda alimentar, ou da Líbia, com 400 mil pessoas nessas circunstâncias, com o agravamento do clima de insegurança. 

Pound destacou as crises de Madagascar, onde as prolongadas condições de seca e um ciclone fizeram a produção agrícola no sul do país cair, e da Somália, que tem 2,7 milhões de pessoas em situação de emergência, principalmente deslocados pelo conflito e comunidades de pastores afetadas pela falta de chuvas. 

Malawi, Mauritânia, Serra Leoa, Sudão, Suazilândia, Uganda e Zimbábue também vivem problemas semelhantes, da mesma forma que Afeganistão, Iraque, Mianmar e Paquistão no continente asiático, estes últimos principalmente pelos deslocamentos por causa da violência. Pound afirmou que nesses países é fundamental acabar com os conflitos, assim como mais investimentos em agricultura que incentivem a integração dos pequenos produtores. 

Na semana passada, o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, informou ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, durante um encontro em Roma que quase 74 milhões de pessoas continuam precisando de ajuda urgente em 18 países, a metade deles na África e mais de um terço no Oriente Médio. 

 Fonte: EFE

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