África tem maioria das 39 nações que precisarão de apoio alimentar em 2017

“...e haverá fomes,” Mateus 24:7

09 de dezembro de 2016.

Dos países lusófonos, Cabo Verde é o único que pode ter produção recorde; Brasil  baixa produção de milho e exportações podem atingir nível mais baixo em cinco anos; Moçambique tem altas taxas de desnutrição infantil.

Países de África compõem mais de 70% das 39 nações afetadas por conflitos civis e pelos choques relacionados ao clima.

Um estudo  lançado esta quinta-feira pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, destaca que o grupo de Estados precisa de auxílio alimentar externo.

Colheitas

Essas situações tiveram um grave efeito sobre a segurança alimentar em 2016, segundo o relatório Perspetivas de Colheitas e Situação Alimentar.

Antes do lançamento do documento, a Rádio ONU conversou com o diretor da Divisão de Águas e Terras da FAO, em Roma. Eduardo Mansur destacou desequilíbrios causados pela falta de água para produzir alimentos.

Água

"Em termos de problemas que nós temos na agricultura é a perda de alimentos  pós-colheita e depois de consumo. Estimamos que a perda de alimentos seja em volta de 30% dos alimentos produzidos. Os legumes, e sobretudo os grão secos, oferecem melhor possibilidade de conservação. Você sabe que para produzir alimentos precisa de água. Por exemplo, para um quilo de carne são necessários 13 mil litros de água.  Para se obter um quilo de lentilhas você necessita de 60 litros."

Angola é mencionada no documento pelas regiões do nordeste onde as previsões apontam para chuvas acima da média entre 2016 e 2017. A colheita começa em abril.

Brasil

O documento cita o Brasil entre vários produtores sul-americanos onde a produção de cereais foi revista em baixa em 2016  devido à seca.  A cultura do milho deve ser de  63,5 milhões de toneladas.

As exportações do produto da campanha 2016-2017 devem atingir o nível mais baixo em cinco anos  com as previsões da queda de 48% em relação a 2015.

Cabo Verde  é mencionado no documento por se esperar um ano recorde na colheita de cereais, como parte da região do Sahel. Chuvas favoráveis caíram em julho em áreas mais produtivas.

Sobre a Guiné-Bissau, o documento destaca a necessidade de 143 milhares de toneladas de cereais. Já São Tomé e Príncipe precisa de 18,1 mil toneladas.

Moçambique é citado no documento pelas "taxas significativamente altas" de desnutrição infantil ao lado do Madagáscar e do Malaui.

As colheita desfavoráveis que devem marcar  2016 em Timor-Leste indicam uma baixa da produção pelo segundo ano consecutivo.

Conflito na  Síria 

O contínuo conflito civil na Síria levou 9,4 milhões de pessoas a precisar de assistência alimentar. A safra de trigo deste ano deve estar  55% abaixo do nível pré-crise.

No Afeganistão, a insegurança alimentar aguda afeta mais de 8 milhões de pessoas e os números devem aumentar com o retorno de cerca de 600 mil refugiados do Paquistão antes do final de 2016.

O conflito no Iémen teria aumentado o número de pessoas que enfrentam  insegurança alimentar dos 14,2 milhões registados em junho.

O Iraque é outro conflito que desencadeia um deslocamento interno generalizado.

Secas

As secas persistentes e os efeitos negativos de uma série de conflitos. Essa situação ocorre apesar de previsões de melhor abastecimento mundial de cereais com o aumento de perspetivas de crescimento.

As previsões agrícolas sugerem uma melhor colheita de grãos e a FAO prevê que a fome piore em algumas regiões nas estações magras antes da maturação das novas culturas.

Este ano, os efeitos do fenómeno climático El Niño reduziram drasticamente a Produção de Alimentos na África Austral.

A previsão é que aumente o número de pessoas que precisam de assistência de janeiro a março 2017 em comparação com o mesmo período de 2015.

Plantações

A FAO apoia programas agrícolas para melhorar o acesso a insumos agrícolas porque em algumas áreas provocando perturbações As plantações podem ser limitadas devido a reservas de cereais e sementes de leguminosas devido a duas fracas colheitas consecutivas.

Entretanto, estimativas preliminares apontam que após o El Niño pode haver um aumento de 27% por cento em plantações de milho para a safra da África do Sul em 2017, de longe o maior produtor da região austral africana.

Para facilitar o planeamento da resposta humanitária a FAO identificou como razões das principais crises alimentares que vão desde o défice na produção de alimentos, a falta de acesso e o impacto de conflitos sobre condições de segurança alimentar.

O conflito generalizado na República Centro-Africana que pode levar à perda e ao esgotamento de recursos produtivos nas famílias numa altura em que às preocupações de segurança tornam difícil a atividade agrícola.

Em áreas do Sul do Sudão, a melhoria colheitas pode ter efeitos de curta duração porque o conflito reduz a capacidade da prática da agricultura, que representa maiores para as comunidades mais vulneráveis.

Fonte: Rádio ONU

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