Israel fará escavações na Cidade Antiga de Jerusalém, aponta jornal

18 de dezembro de 2017.

 

A Autoridade de Antiguidades de Israel, com o apoio do Ministério de Cultura e Esportes, começará uma campanha de escavação arqueológica de grandes dimensões e de cerca de cinco anos de duração na Cidade Velha de Jerusalém, em território ocupado, informou nesta segunda-feira o jornal "Yedioth Ahronoth". 

Trata-se do denominado "Projeto Shalem", que terá um custo de mais de 60,3 milhões de euros (US$ 70,8 milhões) e está relacionado com escavações anteriores centradas em recuperar jazidas vinculadas com o passado judeu da cidade, informou o jornal. 

Segundo este, trata-se do primeiro projeto arqueológico de grande envergadura que o governo iniciaria na Cidade Velha (em Jerusalém Oriental, que Israel ocupa desde 1967 e que a comunidade internacional não reconhece a soberania israelense) e se estenderia entre "a Cidade Velha desde o Monte Sion até à Cidade de David", aponta o jornal. 

Consultada pela Agência Efe, a Autoridade de Antiguidades israelense não quis confirmar o projeto e se limitou a afirmar que "ainda não foi anunciado nada oficialmente", enquanto o Ministério de Cultura não respondeu. 

Entre outros restos arqueológicos, a iniciativa pretenderia expôr os alicerces do Muro das Lamentações, preservar o Reservatório de Siloé e desenterrar as salassubterrâneas da fortaleza de Maayan, monumentos que as instituições israelenses relacionam com a época do Segundo Templo (entre os séculos VI a.C. e I d.C). 

A ministra de Cultura e Esportes, Miri Reguev, reservou vários milhões de orçamento para o projeto arqueológico, com o qual pretende aprofundar a conexão judia com o Jerusalém, afirma o "Yediot Aharonot". 

"A realidade que se revela quando escavamos em Jerusalém vale mais do que mil palavras e é a melhor resposta para aqueles que negam a nossa conexão com o Jerusalém", declarou Reguev. 

"As escavações na Jerusalém Antiga, para mim, são a melhor tradução da declaração do presidente Trump", opinou, em referência ao reconhecimento da cidade como capital israelense por parte do Governo americano. 

"Inclusive se Abu Mazen (o presidente palestino Mahmoud Abbas) tentar escavar cem metros no chão, não encontrará uma só moeda palestina que tenha 2 mil ou 3 mil anos", afirmou a ministra. 

Xavier Abu Eid, porta-voz da Organização para a Liberdade da Palestina (OLP), apontou que Reguev "representa os setores mais fundamentalistas em Israel, que são liderados pelo Governo do senhor (Benjamin) Netanyahu e fomentam a transformação de um conflito político em uma guerra religiosa". 

"A arqueologia de um local sob ocupação não é responsabilidade da potência ocupante. Com isto, Israel decide seguir com sua política de normalização da ocupação através do uso político da arqueologia e do turismo", acrescentou. 

Fonte: EFE

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